Cá estamos nós nessa maravilhosa época que nos brinda e alegra no fim de cada ano: as eleições para a COFE – Comissão de Organização de Festas para Estudantes. Mais um ano, mais eleições, mais... do mesmo!!
Para não fugir à tradição, o processo eleitoral deste ano traz-nos, pela enésima vez, a contribuição do PC (o computador, claro), em oposição a uma lista dita “da continuidade”.
De novidades há apenas o facto de que uns correm sérios riscos de terem uma surpresa e serem eleitos, enquanto que nos outros há pessoas que podem finalmente conseguir o que o Santana Lopes ainda não conseguiu, serem finalmente eleitos. Este ano parece o percentil dos subnutridos: poucas listas, poucas pessoas. Em tempos idos, qualquer lista metia os amiguinhos nos Núcleos Pedagógicos; agora já nem amiguinhos têm para empurrar.
Como somos do contra, e como até agora nenhuma lista apresentou uma – UMA – ideia original que fosse, e como nós somos obviamente CONTRA este declínio de inspiração (ou capacidade), resolvemos apresentar a nossa alternativa.
Alegrem-se as intermináveis legiões de fãs do MFA: NÓS AGORA FALAMOS A SÉRIO!!!!
Não nos revemos em nenhuma lista nem em nenhum candidato (e isto é a sério), pelo que apresentamos algumas ideias sobre o que deveria ser a base ideológica de uma verdadeira Associação Académica. As ideias de uma maioria silenciada, mas não silenciosa.
E como de boas intenções está o Inferno cheio, não chega dar o paleio do “devia ser e acontecer”. Há que apresentar ideias, medidas concretas, métodos de trabalho. Assim sendo, nem é preciso ir mais longe que os próprios Estatutos:
“Representar os estudantes e defender os seus interesses” (enquanto estudantes universitários, obviamente)
1. Isto faz-se, em primeira instância, nos órgãos. E nos órgãos estão estudantes eleitos pelos seus colegas para os representarem. Pelo que todo e qualquer representante que faltar continuamente ao seu dever de representatividade, não pondo os pés nas reuniões do órgão para o qual foi eleito, terá obviamente que ser punido. Não há cá representantes para o estatuto. Há multas, há demissões que poderão ser decididas em RGA de cada Faculdade/Escola, há as Assembleias Magnas que podem fazer o mesmo aos representantes da AA nos órgãos. O que não pode haver é baldas às reuniões. Quando os próprios representantes não se interessam pelos assuntos que ditam o dia-a-dia da Universidade, quem se interessará?
2. Efectivação do trinómio Associação / Núcleos Pedagógicos / Representantes nos órgãos das unidades orgânicas e UAlg, para uma melhor e mais coesa representatividade e comunicação entre os estudantes. Há que reactivar os Conselhos de Senadores, as reuniões periódicas com os Núcleos Pedagógicos, e porque não implementar este tipo de reuniões aos representantes nos restantes órgãos? Só com uma posição esclarecida e coesa por parte dos estudantes, poderão as nossas reivindicações ser levadas a sério.
“Contribuir para a formação dos estudantes, através do fomento de actividades culturais, físicas e político-sociais”
1. Porque estar na Universidade não se resume a tirar um curso; é também adquirir e cultivar o espírito crítico e o exercício da cidadania. Assim, e apesar da reduzidíssima participação que este tipo de eventos tem registado nos últimos anos, é de continuar a organizá-los para os poucos que não andam anestesiados e ainda reconhecem o seu valor.
2. Quanto às festas, que é disso que o povinho gosta: a Semana Académica e a Semana de Recepção ao Caloiro ocupam imenso tempo e recursos àqueles que deveriam estar a representar os interesses estudantis. Tudo pára meses antes, e isso é totalmente inadmissível numa verdadeira AA. A continuar este tipo de festas, ao menos que sejam concessionadas a produtoras que sabem tratar do assunto muito melhor – afinal, sobrevivem à conta deste trabalho – libertando assim a AA para o que realmente interessa: os estudantes e os inúmeros problemas que os afectam.
“Pugnar pela melhoria das condições dos estudantes, de modo a que o ensino seja acessível a todos”
“Contribuir para o incremento de iniciativas conducentes à concretização de um ensino democrático e de qualidade”
Com ênfase no democrático! Abri os olhos, caros colegas, querem reduzir a nossa participação nos órgãos, tirar-nos o pouco poder de decisão que ainda nos resta, enquanto toda a gente anda (?!) distraída com as propinas
“Defender os princípios democráticos da liberdade, solidariedade e igualdade de oportunidades”
Já que estes são, infelizmente, valores em vias de extinção (bem como os Dinos...)
Cooperar EFECTIVAMENTE com outras organizações congéneres, nacionais e internacionais, para atingir os objectivos preconizados anteriormente – ao invés de pactuar com as lutas e rivalidades, cuja génese é apenas a medíocre Política das Juventudes.
Não se percebe como é q a AAUAlg não é ainda membro do FAIRe (Fórum Académico para a Informação e Representação Externa), uma plataforma federativa de compilação e distribuição de informação e de representação a nível internacional, que assume actualmente especial importância por causa do Processo de Bolonha.
Para além do fundamental, exposto anteriormente, também se poderia pensar em:
Actividades extracurriculares
Desporto: O actual modelo desportivo da AAUAlg é um bom modelo. Claro que pode e deve incluir mais modalidades, mais oferta, mais e melhores condições para a prática desportiva na UAlg. Talvez o tão antigo projecto de criação de infra-estruturas desportivas (fora dos Campi) não seja de deitar fora... Sem deixar de piscar o olho ao facto de o desporto em Portimão ser inexistente (ou quase). Talvez também aqui fosse hora de representar os alunos...
Cultura: Cinema, Teatro, Fotografia, Dança, Clubes de Leitura, Tertúlias, Faro Capital Nacional da Cultura, Concertos (a sério), Tunas, há um sem fim de coisas que podem ser feitas com e sem as secções autónomas, com e sem as associações das cidades (Faro e Portimão), que por si só já promovem um variado leque de oferta cultural.
Eventos: Nada de touradas, porque touros já cá houve o mecânico e nunca ninguém o viu... E porque não o Mini-Golf na Alameda? Coisas leves que a malta está farta de festas...
Estudo (Para quem, não tem mais nada para fazer...): Melhores Bibliotecas, mais livros, mais salas de estudo, mais salas de informática (tipo FE - se for preciso também damos mestrados), mais conteúdos informáticos... E em horários decentes (ou seja, a qualquer hora...)
Aspectos Cívicos
1. Criação de infra-estruturas de Educação Ambiental, aproveitando os recursos naturais que o Campus de Gambelas proporciona; balizamento de zonas pedestres;
2. Criação de um sistema integrado de reciclagem nos Campi e espaços da Associação;
3. Incentivo ao uso do transporte colectivo, nomeadamente incentivos financeiros: desconto nos serviços da AAUAlg aos detentores de passe, ou atribuição de senhas a quem entrasse/saísse da Universidade com o carro cheio. Criação de um Serviço de boleias para/de Gambelas.
4. Negociação com a EVA para maior número de transportes directos para Gambelas (Baixa - Rotunda do Hospital - Fórum - Gambelas)
5. Promoção do dia Aberto ao cidadão. Visitas guiadas a Associações de Pais do Ensino Secundário e outros cidadãos interessados.
6. Criação e implementação de um Jornal Académico mensal, bem coordenado e dinamizado, integrado na redacção da RUA fm
7. Promoção de acções cívicas regulares (acordos com as estruturas de recolha de sangue, medula, serviços de rastreio de doenças infecto-contagiosas, limpezas de praias, recolhas de roupa, brinquedos, comida, etc...)
8. Disponibilização de aconselhamento jurídico aos estudantes.
9. Criação do GAPS (Gabinete de Apoio Profissional e Social) na Universidade. Mas a sério!
Tradição Académica
1. Ressuscitar a 5ª feira académica: descontos nos serviços da AAUAlg a quem for trajado para a Universidade, desconto no BA para quem sair trajado à noite.
2. Criação de um Conselho de Praxe constituído pelos elementos da DG-AAUAlg para coordenar e ajuizar as Praxes.
3. Promoção da opção Anti-praxe e fomento de actividades de não exclusão destes alunos.
Processo de Bolonha (O próximo grande elefante Branco do ENSINO SUPERIOR)
1. Desenvolver uma campanha de informação sobre todos os aspectos do Processo de Bolonha e seus pressupostos.
2. Criação de uma comissão de acompanhamento mista - docentes, alunos e funcionários - da implementação deste processo na Universidade do Algarve.
3. Pugnar pela “...participação dos estudantes em todas as fases do processo.” (in Comunicado de Berlim).
4. Atendendo à dimensão Social do Ensino Superior consagrada no Comunicado de Berlim, garantir a igualdade de oportunidades na finalização dos estudos, bem como no prosseguimento dos mesmos.
5. Acompanhar o processo de reestruturação dos cursos da Universidade do Algarve, tendo em particular atenção os seguintes aspectos:
Estrutura de Graus: Descrever qualificações em termos de carga de trabalho, nível, resultados da aprendizagem, competências e perfil.
ECTS: Garantir que não se trata de um mero processo matemático, e no que toca a calcular a carga de trabalho, pugnar para que os estudantes sejam directamente envolvidos neste processo.
6. Pugnar para que, a partir de 2005, todos os diplomados recebam o Suplemento ao Diploma, automática e gratuitamente, e emitido numa língua falada a nível europeu. (in Comunicado de Berlim)
7. No sentido de fomentar o desenvolvimento de competências, conhecimentos e formação pessoal, pugnar pela abolição do pagamento de inscrição em disciplinas extracurriculares (sem componente laboratorial).
8. Deveria ser dado um ênfase nas capacidades transdisciplinares transferíveis que são ganhas em certas disciplinas e em certas actividades académicas.
9. Pugnar para que a Universidade assuma uma postura pró-activa na criação do “Espaço Europeu de Ensino Superior”, não ficando à espera que os outros tomem a iniciativa por si. A criação de programas e protocolos nacionais e internacionais de mobilidade de estudantes, docentes e funcionários, bem como o incentivo e apoio aos já existentes (Erasmus, Vasco da Gama, Leonardo da Vinci, etc..) parece-nos absolutamente essencial.
Pedagogia
Efectivar a avaliação pedagógica dos docentes:
1. Elaboração de propostas a enviar à Assembleia da Republica para alteração da legislação vigente (Estatuto da carreira docente uniforme - Universitário e Politécnico - Lei de Bases, etc..).
2. Exigir aos Conselhos Científicos a inclusão de uma efectiva avaliação Pedagógica nos docentes, criando periodicamente cursos de formação em matérias de Pedagogia, uso de meios multimédia, etc...
3. Elaborar uma avaliação semestral de todos os docentes, através de inquéritos aos alunos e posterior divulgação pública. Atribuição do prémio “Melhor Pedagogo”, com uma viagem para duas pessoas à Eurodisney. Proposta de Honoris Causa para o docente que conseguisse 3 prémios consecutivos de “Melhor Pedagogo”.